Tribuna do Norte: “A cidade como ambiente museológico”

O Jornal Tribuna do Norte publicou no dia 23 de maio reportagem nas suas versões impressa e digital sobre o Museu da Memória Afetiva da Cidade do Natal.

Leia abaixo a reportagem completa:

Reportagem sobre o lançamento oficial do Museu da Memória Afetiva da Cidade do Natal.
Reportagem sobre o lançamento oficial do Museu da Memória Afetiva da Cidade do Natal.

A cidade como ambiente museológico

Ramon Ribeiro –  Repórter

Pensar o museu para além do espaço físico de um prédio institucional. Ampliar esse conceito para a cidade inteira, como se a cidade fosse um grande mapa a ser explorado por ações que promovam nossa maior relação com o lugar, com as pessoas e com nós mesmos. Mas sem esquecer um detalhe: tendo os próprios moradores como construtores da memória coletiva. Essa percepção permeou a abertura do 1º Seminário Museu, Cidade e Memória Afetiva, realizado, na manhã de terça-feira (22), na Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, na Cidade Alta.

Dois importantes nomes da área de museu no Brasil estiveram estiveram presentes no evento e palestraram sobre o tema: o presidente do Instituto Brasileiro de Museus (IBRAM), Marcelo Mattos Araújo, e Maria Inez Montovani, fundadora da Expomus, empresa brasileira especialista na área de museus. Marcelo ressaltou o maior protagonismo dos museus na sociedade contemporânea, fenômeno que é mundial. Já Maria Inez, apresentou casos bem sucedidos de iniciativas museológicas de grande impacto social em comunidades periféricas de São Paulo. Os dois conversaram com o VIVER e a entrevista pode ser lida ao lado do texto.

Quem também participou do seminário foi a dupla Zé Bueno e Luiz Campos. Eles são os criadores do projeto Rios e Ruas, iniciativa surgiu em 2010 com o objetivo de redescobrir os “rios invisíveis” da metrópole paulistana por meio de oficinas, exposições e expedições a nascentes. Segundo o arquiteto e urbanista Zé Bueno existe uma questão cultural na sociedade de ver os rios como problema e associá-los a esgotos. “Até urbanistas vêem os rios como problema. Para eles, o rio fede, atrai bichos, doenças, afeta o trânsito. E não precisa ser assim”, comenta.

Para mudar esse entendimento, a dupla aposta em atividades criativas, associadas à ocupação do espaço público e a criação de vínculos afetivos. O geógrafo e educador Luiz Campos lembrou uma das experiências do projeto: a expedição ao rio Saracura, no Centro de São Paulo. Na passagem pelo bairro de Bixiga, famoso por concentrar imigrantes de italianos, o público conhece a histórias de gente que já vivia na área antes dos imigrantes. No caso, negros libertos. São eles que guardam memórias da existência do rio.

“Esses negros por muito tempo carregavam o apelido de saracura, em referência ao nome do pássaro que vivia na várzea do rio. Há pouco anos, essa questão e a história do rio foi levada para o desfile de carnaval da escola de samba Vai-Vai, que é do bairro. O grupo ganhou o carnaval daquele ano com esse tema. E hoje, o termo saracura é motivo de orgulho”, conta Luiz Campos, ao ressaltar a importância da memória afetiva como agente promotor de transformações sociais. “A memória do rio está nas pessoas”.

Caçadores de rios invisíveis em Natal

Zé Bueno e Luiz Campos continuam em Natal. Nesta quarta-feira (23), ainda dentro da programação do Seminário, eles participarão do percurso “Rios e Rua Natal”. A atividade é gratuita. Os interessados devem comparecer a Igreja do Rosário no horário das 14h, quando um ônibus levará o grupo até o ponto de partida do passeio, no Barro Vermelho. Na região há afluentes do Rio Potengi praticamente esquecidos da população. E o objetivo da atividade é justamente conhecê-los e caçar histórias de quem vive ao redor desses afluentes.